quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Parte 1 - Desígnio - propósito
“Expressar algo com certa emoção”. Parece que estes elementos estão sem por traz daquilo que define arte. Não importa sua qualidade, grande arte ou “peque arte”... como o marchand gostaria de definir.
“Tomar a realidade como elemento para expressar algo, de forma emocional, segundo seu ponto de vista.”
Melhor ainda: “ Interpretar e representar a realidade de forma emocional” . Acho que esta pode ser, até o momento, a melhor definição. “Interpretar”, pressupõe um ponto de vista sobre a realidade. “Representar”, define o universo de meios de expressão. E “ ...de forma emocional...” consiste na carga emotiva de sua interpretação pelos meios de expressão.
Acho que ainda não estou satisfeito com o trecho “...de forma emocional...”.
Não cabe imaginar que “...interpretar e representar a realidade...”, não o faça de forma emocional. A emoção parece, também, ser um pressuposto. Toda ser humano possui um ponto de vista sobre a realidade e, se tentar representá-lo, será sempre de forma emocional.
Qual será, portanto, o impacto dessa frase?
Um homem pré-histórico, ao fazer suas pinturas rupestres em Lascoux [1] ou Altamira[2], independente de suas razões para fazê-lo (místicas ou simplesmente por puro desejo), estava impregnado de intenções plásticas.
Eu mesmo, ao tentar copiar um desenho rupestre, percebi diversos detalhes intencionais que, ao distorcer o real, intensificava aspectos de movimento, e do próprio corpo humano. Estes homens estilizavam e o faziam com intenções. Atribuíam desígnio ao desenho.
Peço ao leitor que examine estes desenhos com cuidado e, certamente irá perceber a qualidade expressiva destes desenhos.
Por outro lado, diante da afirmação “...interpretar e representar a realidade...” cabe à um pesquisador de física?
Há “emoção” na interpretação e representação da realidade por meio de fórmulas matemáticas?
Um pesquisador que Física é um artista?
A ciência é uma forma de expressão...é arte?

1 Conjunto de cavernas do Vale de Vézère (sudoeste da França) onde houveram prospecções arqueológicas e foram descobertas grande quantidade de pinturas rupestres datadas de 10.000 a.C.
( http://www.culture.gouv.fr/culture/arcnat/lascaux/en/ )
2 Caverna próxima a Santander (Espanha), possui pinturas um dos mais significantes conjuntos pictóricos do período de Paleolítico (10.000).
( http://www.showcaves.com/english/es/showcaves/Altamira.html )


[1] Conjunto de cavernas do Vale de Vézère (sudoeste da França) onde houveram prospecções arqueológicas e foram descobertas grande quantidade de pinturas rupestres (10.000 a.C).
[2] Caverna próxima a Santander (Espanha), possui pinturas um dos mais significantes conjuntos pictóricos do período de Paleolítico (10.000 a.C)

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GRAVURAS

O gravado constitui uma das minhas principais formas de expressão. Fascinado pelos gravadores do expressionismo alemão, sempre imaginei alcançar a magia de reproduzir um desenho com a delicadeza de Otto Mueller (1874-1930) ou a crítica social de Grosz (1893-1959), Otto Dix (1891-1969), ou o próprio Ernst Ludwig Kirchner (1880–1938) fundador da Die Brücke * ( a ponte).
A forma gráfica definida pela gravura do expressionismo alemão não resultou, de maneira imediata, na tentativa de seguir a técnica. Ela se manifestou pelo Kiri -ê, no qual o artista realiza suas ilustrações por meio do gravado em papel. A técnica é originária da China onde é executada em papel de arroz e deve manter estrutura original do suporte.
Entretanto o que me interessou foi o resultado plástico obtido com a técnica, empregando papeis mais grossos e negros. A solução de superfícies e linha se assemelhava fortemente com as gravuras dos artistas alemães.

Em 1983 e 1987, realizei duas exposições com desenhos realizados com esta técnica no papel no Centro Cultural São Paulo e no Franz Café. Nesse período tentei a reproduzir os trabalhos por meio de serigrafia, os quais resultaram impressões surpreendentes. A partir de então, estas serigrafias passaram a me estimular a tentar uma gravação usando o mesmo método de impressão que utilizava para a xilogravura (impressão usando pressão por meio de uma colher sobre papel de arroz). Entretanto o sonho de usar papel como matriz, só veio se concretizar em 2008.
A técnica me fascinou uma vez que não era necessário grande recurso na compra de madeira ou goivas e, ao mesmo tempo, poderia ser praticada por qualquer pessoa. Para esta técnica bastava um bom estilete, um cartão (papel com 400g) e criatividade.
Evidentemente, a durabilidade da matriz de papel é muito menor que as demais matrizes convencionais. Entretanto, como já mencionei, é muito prática e com características expressivas particulares.
Tal como a xilogravura em cortes de topo ou de fio, a experiência com outros materiais, em decorrência de sua resistência ao corte das goivas, definem um resultado específico para a gravura. Algumas destas experiências podem ser vistas nas imagens abaixo.


*Grupo de artistas expressionistas alemães formado em1905 em Dresden

rosto de homem

rosto de homem
gravura com matriz de papel - 2008

homem

homem
Xilogravura - 2006

ribeirinha

ribeirinha
xilogravura - 1986

perfil

perfil
Xilogravura - 1984

mulher apoiada

mulher apoiada
gravura com matriz de papel - 2008

Sangue

Sangue
Foto Rogerio Bessa Gonçalves (2003) - Edifício Copan - Arq. Oscar Niemeyer - São Paulo

Balanço

Balanço
Foto Rogerio Bessa - 2004 - Museu Oscar Niemeyer - Curitiba

Foto Rogerio Bessa (2005) -Viaduto Sta. Efigênia - São Paulo

Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo

Lilás

Lilás
Foto Rogerio Bessa - 2005 - Avenida São Luiz - São paulo

ontem

ontem
Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo

sugar bread

sugar bread
Rio - 2008

copan

copan
Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo