quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Parte 2 - criação
Tenho trabalhado próximo a muitos pesquisadores da Universidade de São Paulo. Uma das questões que sempre indago consiste no surgimento da ideia, o famoso “insites” (desculpe o anglicismo e acho que assim que escreve o termo). Falo da ideação, concepção da pesquisa, a luz criativa.
Da maneira como estes pesquisadores mencionam ou concebem suas pesquisas, lembra muito o ato criativo de um artista plástico.
Um arquiteto, mediante os determinados parâmetros assume uma “partido arquitetônico[1] e cria uma solução formal para o problema, algo semelhante a pratica aplicada (ou não) de um pesquisador; ambos criam e buscam uma luz para alcançar determinadas soluções
Os termos “criação” ou criatividade me parece ser algo comum nas atividades do arquiteto, do pesquisador e o do artista. Todos idealizam e, se forem criativos, terão grande chance de alcançarem bons resultados em suas respectivas atividades.
Entretanto, independente do meio que expressam a criatividade, cálculos, textos pincel e tinta, lápis e esquadros, há algo de diferente entre essas formas de criação. Será?
Uma obra de arte ou uma expressão pictórica, gráfica, um romance, poesia, são criadas segundo a maneira que o autor percebe a realidade.
Tenho a impressão que o momento criativo de um pesquisador também tem origem na observação da realidade. O que diferencia um artista ou um pesquisador de outro é o modo particular de sua forma de apropriação da realidade. Afinal são indivíduos com forma de pensar distintas (pesquisador para pesquisador e artista para artista).
Fica uma indagação: a arte pode aplicada ou é meramente contemplativa?
A pergunta pode ser esclarecida se analisarmos os conceitos formulados pela famosa escola alemã Staatliches Bauhaus[2]
Entretanto, podemos avançar sobre eles um pouco mais adiante.


3 Termo criado pelo arquiteto Carlos Lemos para definir a solução funcional e formal dada certas condicionantes para seu desenvolvimento.
4 Escola alemã fundada, entre outros por Gropius na cidade de Weimar em 1919. Atuava em proposições de vanguarda nas artes plásticas, arquitetura e design.

[1] Termo criado pelo arquiteto Carlos Lemos para definir a solução funcional e formal dada certas condicionantes para seu desenvolvimento.
[2] Escola alemã fundada, entre outros por Gropius na cidade de Weimar em 1919. Atuava em proposições de vanguarda nas artes plásticas, arquitetura e design.

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GRAVURAS

O gravado constitui uma das minhas principais formas de expressão. Fascinado pelos gravadores do expressionismo alemão, sempre imaginei alcançar a magia de reproduzir um desenho com a delicadeza de Otto Mueller (1874-1930) ou a crítica social de Grosz (1893-1959), Otto Dix (1891-1969), ou o próprio Ernst Ludwig Kirchner (1880–1938) fundador da Die Brücke * ( a ponte).
A forma gráfica definida pela gravura do expressionismo alemão não resultou, de maneira imediata, na tentativa de seguir a técnica. Ela se manifestou pelo Kiri -ê, no qual o artista realiza suas ilustrações por meio do gravado em papel. A técnica é originária da China onde é executada em papel de arroz e deve manter estrutura original do suporte.
Entretanto o que me interessou foi o resultado plástico obtido com a técnica, empregando papeis mais grossos e negros. A solução de superfícies e linha se assemelhava fortemente com as gravuras dos artistas alemães.

Em 1983 e 1987, realizei duas exposições com desenhos realizados com esta técnica no papel no Centro Cultural São Paulo e no Franz Café. Nesse período tentei a reproduzir os trabalhos por meio de serigrafia, os quais resultaram impressões surpreendentes. A partir de então, estas serigrafias passaram a me estimular a tentar uma gravação usando o mesmo método de impressão que utilizava para a xilogravura (impressão usando pressão por meio de uma colher sobre papel de arroz). Entretanto o sonho de usar papel como matriz, só veio se concretizar em 2008.
A técnica me fascinou uma vez que não era necessário grande recurso na compra de madeira ou goivas e, ao mesmo tempo, poderia ser praticada por qualquer pessoa. Para esta técnica bastava um bom estilete, um cartão (papel com 400g) e criatividade.
Evidentemente, a durabilidade da matriz de papel é muito menor que as demais matrizes convencionais. Entretanto, como já mencionei, é muito prática e com características expressivas particulares.
Tal como a xilogravura em cortes de topo ou de fio, a experiência com outros materiais, em decorrência de sua resistência ao corte das goivas, definem um resultado específico para a gravura. Algumas destas experiências podem ser vistas nas imagens abaixo.


*Grupo de artistas expressionistas alemães formado em1905 em Dresden

rosto de homem

rosto de homem
gravura com matriz de papel - 2008

homem

homem
Xilogravura - 2006

ribeirinha

ribeirinha
xilogravura - 1986

perfil

perfil
Xilogravura - 1984

mulher apoiada

mulher apoiada
gravura com matriz de papel - 2008

Sangue

Sangue
Foto Rogerio Bessa Gonçalves (2003) - Edifício Copan - Arq. Oscar Niemeyer - São Paulo

Balanço

Balanço
Foto Rogerio Bessa - 2004 - Museu Oscar Niemeyer - Curitiba

Foto Rogerio Bessa (2005) -Viaduto Sta. Efigênia - São Paulo

Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo

Lilás

Lilás
Foto Rogerio Bessa - 2005 - Avenida São Luiz - São paulo

ontem

ontem
Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo

sugar bread

sugar bread
Rio - 2008

copan

copan
Foto Rogerio Bessa (2005) - São Paulo